A história da cirurgia da face: da trend dos anos 80 ao lifting endoscópico em plano profundo
Nesta semana a internet inteira se viu nos anos 80. A trend "como eu seria nos anos 80" tomou conta do Instagram no início de setembro, e o resultado é sempre o mesmo. A inteligência artificial muda a roupa, o cabelo, a luz e até a textura granulada da foto, mas não mexe nos traços.
É justamente aí que está o detalhe técnico. A brincadeira só funciona porque a pessoa continua reconhecível: muda a época, permanece a identidade.
Na cirurgia da face aconteceu o contrário durante muitas décadas. Mudava-se o rosto e perdia-se um pouco da pessoa. Entender por que isso acontecia exige voltar bem antes dos anos 80, porque a história começa há mais de dois mil anos.
A pálpebra veio primeiro, e veio na Roma antiga
O procedimento mais antigo para o rosto que envelhece não é o lifting, e sim a blefaroplastia, a cirurgia das pálpebras. Celso, médico romano que viveu entre 25 a.C. e 50 d.C., descreveu a retirada de pele da pálpebra superior. Ele chamava o problema de "pálpebra relaxada".
Depois dele vieram soluções que hoje parecem impensáveis. Albucasis, cirurgião de Córdoba no século X, propunha queimar a pálpebra em meia-lua. Ali Ibn Isa, em Bagdá, prendia a pele entre duas barras de madeira. Em cerca de dez dias, a falta de circulação fazia o tecido cair sozinho.
No século XVI, Ambroise Paré já ensinava algo que continua atual. Ele mandava marcar com tinta a pele que seria retirada, para não tirar demais e acabar virando a pálpebra para fora. Em 1818, von Graefe criou a palavra "blefaroplastia".
O século XX começa cortando pele
O primeiro lifting facial documentado é do começo do século XX. Erich Lexer relatou ter operado, em 1906, uma mulher que criava dobras no rosto à noite, prendendo a pele com tiras de borracha na cabeceira da cama.
Em 1912, Eugen Hollander, de Berlim, atendeu uma aristocrata polonesa que chegou com um desenho próprio do que queria. Hollander retirou até cinco centímetros de pele à frente da orelha e fez uma escolha que explica muita coisa: não descolou a pele do rosto.
A intenção era justamente deixar tensão em toda a face, e ele acreditava que dois a três dias de desconforto marcavam um lifting bem feito. Essa frase resume a lógica de uma era inteira, na qual esticar era o tratamento. Guarde esses cinco centímetros à frente da orelha, porque o fim desta história volta exatamente a esse ponto.
Raymond Passot publicou em Paris, em 1919, as primeiras descrições de rejuvenescimento do terço superior da face. No mesmo ano, Adalbert Bettman apresentou as primeiras fotografias de antes e depois de um lifting, feito no consultório e com anestesia local.
Jacques Joseph descreveu em 1921 a correção da bochecha caída de uma paciente de 48 anos, cuja motivação era conseguir uma vaga de trabalho. Cem anos depois, essa continua sendo uma das razões mais citadas na consulta.
Duas descobertas dos anos 20 que ainda estão na sala de cirurgia
Em 1924 o francês Julien Bourguet mudou a cirurgia das pálpebras. Ele foi o primeiro a descrever a retirada da gordura que se projeta na órbita, já que até então se retirava apenas pele. Bourguet também descreveu a via transconjuntival, o acesso feito por dentro da pálpebra, sem corte externo. É a mesma técnica usada hoje nas bolsas da pálpebra inferior. No ano seguinte, publicou as primeiras fotografias de antes e depois de uma blefaroplastia.
Em 1926, Madame Suzanne Noël, a primeira mulher cirurgiã plástica, publicou em Paris um livro com 59 pares de fotos de antes e depois. Ela defendeu que a documentação fotográfica é parte do método, e não enfeite. Operava em casa ou no consultório, sem luvas, máscara ou antibióticos.
A ideia de fotografar sistematicamente o resultado tem quase cem anos e nasceu com uma mulher.
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1976: a descoberta que mudou a pergunta
Por quase setenta anos a cirurgia da face tratou de pele. O primeiro sinal de mudança veio em 1960, com Aufricht, que passou a dar pontos em camadas mais profundas para o resultado durar mais. Em 1974, o sueco Tord Skoog publicou uma proposta diferente: em vez de descolar somente a pele, levantava pele e camada profunda em conjunto.
A explicação anatômica veio dois anos depois, quando Vladimir Mitz e Martine Peyronie descreveram o SMAS, sigla de sistema músculo-aponeurótico superficial. Trata-se de uma camada de tecido firme que fica sob a gordura e envolve os músculos da face. Os dois a estudaram por dissecção, radiografia e exame ao microscópio.
O trabalho mudou a pergunta central da especialidade. A questão deixou de ser quanta pele retirar e passou a ser qual camada reposicionar.
Por que tantos rostos dos anos 80 ficaram com a mesma cara
Nos anos 80 o SMAS já era conhecido, mas a técnica ainda estava em transição e boa parte das cirurgias continuava apoiada na pele. A tração era feita para trás, em direção à orelha, embora o envelhecimento aconteça de cima para baixo.
Puxar para trás um rosto que caiu para baixo produz três consequências previsíveis. A pele fica sob tensão e a cicatriz alarga. O canto da boca é tracionado para o lado e surge o aspecto de rosto varrido pelo vento. E o sulco entre o nariz e a boca permanece, porque nunca chegou a ser solto.
Havia ainda o que ninguém tratava naquele momento, já que a perda de volume não entrava na conta. O resultado era um rosto esticado e vazio ao mesmo tempo.
Nem todo rosto operado naquela década ficou assim, mas o padrão foi frequente o bastante para virar referência cultural. É esse rosto que a paciente tem em mente quando diz ter medo de cirurgia.
Esse medo aparece quase toda semana na consulta, e a paciente costuma descrever uma atriz específica ou uma parente. Quase sempre a imagem que ela guarda é dos anos 80 ou 90.
SMAS e plano profundo não são a mesma coisa
Vale separar aqui dois conceitos que costumam ser confundidos, inclusive fora do meio médico. A diferença entre eles organiza tudo o que vem depois.
Nas técnicas de SMAS, a pele é descolada primeiro e o SMAS é tratado em seguida, como uma segunda camada. Ele pode ser dobrado sobre si mesmo, sobreposto, parcialmente retirado ou elevado como um retalho próprio. São duas camadas, movidas separadamente e muitas vezes em direções diferentes.
No plano profundo, a dissecção entra por baixo do SMAS. Não existe retalho de pele separado. Pele, gordura e SMAS permanecem unidos e sobem juntos, em bloco, depois que os ligamentos de retenção são soltos. Quem sustenta o resultado é a camada profunda, e a pele apenas acompanha, sem tensão.
Essa distinção não é detalhe de técnica. É ela que explica por que um rosto fica com aspecto esticado e outro não.
1989 e 1990: soltar em vez de puxar
Duas publicações fecharam o raciocínio. Em 1989, David Furnas descreveu os ligamentos de retenção da bochecha, faixas de tecido que ancoram a pele ao osso e aos planos profundos. Furnas mostrou que esses ligamentos são obstáculos reais. Sem soltá-los o tecido não sobe, por mais que se puxe a pele.
Em 1990, Sam Hamra publicou a ritidoplastia em plano profundo, conhecida como deep plane. A dissecção passa abaixo do SMAS e avança além do músculo zigomático, liberando os ligamentos pelo caminho. Hamra relatou 403 pacientes operados, e o alvo declarado era o sulco entre nariz e boca, que as técnicas de SMAS não corrigiam.
A lógica se inverteu por completo. Antes se puxava a pele contra os ligamentos, e a partir dali passou-se a soltar os ligamentos para que o conjunto subisse inteiro.Os anos 2000: o rosto não só cai, ele esvazia
Reposicionar resolveu a queda. Não resolveu o esvaziamento.
Sydney Coleman consolidou nos anos 2000 a lipoenxertia estrutural, que é o enxerto da gordura da própria paciente, colocada em pequenas quantidades e em várias camadas. Ele observou um efeito que ia além do preenchimento, porque a pele sobre a área enxertada melhorava de qualidade.
Em 2007, Rod Rohrich e Joel Pessa demonstraram que a gordura da face não é uma massa única. Ela é um conjunto de compartimentos separados por septos. O rosto, portanto, não envelhece por inteiro, e cada compartimento muda no seu próprio ritmo. James Stuzin ampliou esse raciocínio em 2019 e mostrou como ele orienta o planejamento cirúrgico.
Foi assim que reposicionar e repor volume deixaram de ser alternativas e passaram a ser partes da mesma cirurgia.
O que a ciência mostra sobre resultado e durabilidade
A pergunta mais comum na consulta é quanto tempo o resultado dura.
Uma revisão sistemática publicada em 2025 reuniu 21 estudos e 2.896 pacientes para comparar o plano profundo com as técnicas de SMAS. A satisfação relatada foi de 94,4% no plano profundo e de 87,8% no SMAS. As complicações foram mais frequentes no plano profundo, 17,2% contra 10,3%. A conclusão dos autores é equilibrada: as duas famílias de técnica entregam resultados sólidos e duradouros.
Em 2026, outro estudo acompanhou trinta anos de uma mesma prática cirúrgica, com 956 liftings em plano profundo. Entre as pacientes que voltaram para uma segunda cirurgia, o intervalo médio foi de 10,9 anos. Quem operou até os 53 anos voltou, em média, 12,4 anos depois, enquanto quem operou mais tarde voltou em 9,3 anos.
O dado tem uma leitura prática direta, porque operar mais cedo tende a render mais tempo de resultado. Isso não acontece porque a técnica seja outra, e sim porque o envelhecimento acelera com a idade.
1992: a câmera entra na cirurgia da face
É preciso voltar alguns anos neste ponto da história. Enquanto o plano profundo se firmava, uma segunda linhagem corria em paralelo. Ela nasceu de uma pergunta simples. A endoscopia já era rotina na cirurgia do abdome, com uma microcâmera introduzida por incisões mínimas. Faltava saber se a mesma lógica serviria para a face.
Nicanor Isse apresentou o lifting endoscópico de fronte em 1992, em Los Angeles e em Buenos Aires. Publicou a série dois anos depois, com 61 casos operados em onze meses, e chamou a técnica de endoforehead. Os resultados eram comparáveis aos da testa aberta, por incisões pequenas escondidas no couro cabeludo.
Em 1994, Luis Vasconez publicou o trabalho da equipe de Birmingham. Eles validaram a técnica em cadáveres frescos e depois operaram 32 pacientes. A frase central do artigo é direta: eliminar a incisão de orelha a orelha é uma vantagem óbvia.
O que estava sendo eliminado ali merece explicação. O lifting de testa clássico usava a incisão coronal, que atravessa o couro cabeludo de uma orelha à outra. A técnica funcionava, mas cobrava caro. Havia falha de cabelo ao longo da cicatriz, dormência prolongada do couro cabeludo e uma cicatriz muito longa.
No mesmo ano, Oscar Ramirez levou a endoscopia além da testa. Ele estendeu a dissecção ao terço médio e ao terço inferior da face. E registrou uma observação que hoje soa profética: pacientes até o final dos 40 anos poderiam fazer um lifting completo sem retirada de pele.
Oitenta anos antes, a cirurgia da face era, por definição, retirada de pele. Ramirez propunha o contrário.
O que a endoscopia entregou, medido em milímetros
Uma técnica nova costuma vir acompanhada de entusiasmo. O que separa entusiasmo de evidência é a medição ao longo do tempo.
Uma meta-análise publicada em 2025 reuniu trinta anos de literatura sobre o lifting endoscópico de sobrancelha. Foram 5.324 artigos triados e apenas 12 com dados objetivos de longo prazo. A elevação que se mantém foi de 3,25 milímetros na parte medial da sobrancelha, 3,86 no centro e 4,35 na cauda.
Escritos assim, esses números parecem pequenos. No rosto, não são. A cauda da sobrancelha é onde a queda mais pesa sobre o olhar, e foi justamente ali que a elevação sustentada foi maior.
Uma revisão sistemática de 2026 comparou as técnicas abertas com as endoscópicas em quinze estudos. As endoscópicas apresentaram resultados estéticos iguais ou melhores, com menos complicações e recuperação mais curta. Os próprios autores ponderam que os estudos são heterogêneos e que faltam trabalhos prospectivos de longo prazo.
A convergência: o plano profundo entra pela câmera
Por quase trinta anos as duas linhagens correram em paralelo, e a razão é anatômica.
O plano profundo trabalhava na camada certa, mas dependia da incisão à frente da orelha para chegar até ela. A endoscopia resolvia a cicatriz, mas entrou na face por outra camada, o plano subperiosteal, que é o espaço colado ao osso. A escolha tinha lógica. Aquele espaço abre com facilidade, forma uma cavidade natural para a câmera e fica profundo aos ramos do nervo facial, o que o torna seguro para quem está aprendendo a operar por vídeo.
O problema é que o subperiosteal não é o plano do envelhecimento. O que desliza para baixo com a idade é o conjunto de SMAS e platisma, e não o periósteo. Corrigir pelo osso é corrigir por um caminho paralelo ao do problema. Há ainda um efeito colateral conhecido, porque descolar o arco zigomático desloca a origem dos músculos que levantam o canto da boca, e o sorriso pode ficar menos natural.
A convergência consistiu em levar a câmera para o plano certo. Em vez de trabalhar sobre o osso, a dissecção endoscópica passou a acontecer abaixo do SMAS, nos mesmos espaços que Hamra abria em 1990: o pré-zigomático, o pré-massetérico e o subplatismal. São espaços de tecido frouxo, que funcionam como cavidades ópticas naturais. É o mesmo plano da cirurgia aberta, alcançado por outra porta.
Em 2025, uma série de 393 pacientes operados entre 2020 e 2024 descreveu esse lifting endoscópico em plano profundo. O trabalho propõe um sistema de classificação em cinco grupos para orientar a indicação. Não houve lesão definitiva de nervo. A reoperação por motivo estético ocorreu em 4,8% dos casos, concentrada nos cem primeiros pacientes.
Esse último dado é o mais honesto do estudo. A técnica tem curva de aprendizado, e o próprio autor mostra onde ela está.
Em 2023, outra descrição foi ainda mais longe. Marc Mani publicou um lifting de face e pescoço com retalho composto, feito por via endoscópica e sem a incisão à frente da orelha. A série reúne 41 casos consecutivos, com resultados comparáveis aos que o mesmo cirurgião obtinha pela via aberta. O raciocínio dele é elegante: quando pele e SMAS sobem em bloco, a incisão pré-auricular serve apenas para dar acesso, e acesso é exatamente o que a câmera sabe substituir.
Aqui cabe desfazer um mal-entendido frequente. O endoscópio não é uma categoria de paciente nem uma técnica que compete com as outras. É um instrumento de visão. Ele não decide quem pode operar, decide o quanto o cirurgião enxerga enquanto disseca, e por isso pode ser somado a praticamente qualquer plano de cirurgia da face.
É essa a lógica da cirurgia híbrida. Um trabalho publicado em 2026 descreve exatamente isso no terço médio, com um acesso temporal endoscópico de um centímetro e meio combinado a uma incisão curta à frente da orelha. A câmera faz a dissecção profunda e a incisão menor permite pegar o SMAS sob visão direta e suspendê-lo na vertical. Não é endoscópico em vez de aberto, é endoscópico somado ao aberto.
Na minha prática, o endoscópio raramente é a pergunta. A pergunta é qual plano precisa ser liberado e em que vetor os tecidos precisam subir. Definido isso, a câmera entra quase sempre, porque dissecar sob visão ampliada é mais seguro perto dos ramos do nervo facial e dos vasos. Em flacidez leve a moderada, ela pode resolver sozinha, sem a incisão à frente da orelha. Quando há muita pele no terço inferior e no pescoço, essa pele precisa ser removida, e o endoscópio entra associado ao lifting cervicofacial. O que muda de paciente para paciente é a extensão do acesso, não a utilidade de enxergar.
Vale medir a distância percorrida. Em 1912, Hollander retirou cinco centímetros de pele à frente da orelha e considerou a dor pós-operatória um bom sinal. Em 2023, a proposta é não fazer corte nenhum naquele lugar.
Clique aqui e agende sua consultaDúvidas práticas de quem chega com essa história na cabeça
Qual a diferença entre SMAS e plano profundo? Nas técnicas de SMAS, pele e SMAS são descolados e movidos como duas camadas separadas. No plano profundo, a dissecção entra por baixo do SMAS e o conjunto sobe inteiro, depois que os ligamentos são soltos. É a diferença entre esticar a pele sobre uma estrutura e reposicionar a estrutura junto com a pele.
Vou ficar com o rosto puxado? Esse aspecto vem de tração na pele, feita na direção errada. Nas técnicas atuais a sustentação é feita na camada profunda, e a pele é apenas redistribuída, sem tensão.
O endoscópico substitui o lifting tradicional? A pergunta é mal formulada, porque os dois não competem. O endoscópio é um instrumento de visão e pode ser usado com qualquer técnica. Em flacidez leve a moderada, ele resolve sozinho. Quando há excesso de pele no terço inferior e no pescoço, essa pele precisa ser removida, e ele entra associado ao lifting cervicofacial.
O que é cirurgia híbrida? É combinar o acesso endoscópico com a via aberta na mesma cirurgia. Usa-se a câmera onde a visão a olho nu é ruim e a incisão onde a pele precisa ser redistribuída. A vantagem é somar a segurança da visão ampliada ao que só o acesso aberto resolve.
Endoscópico é lifting sem cicatriz? Não. As incisões existem, são pequenas e ficam escondidas no couro cabeludo e na região temporal. O termo correto é cicatriz reduzida e dissimulada.
Quanto tempo dura? Os dados apontam cerca de dez anos até uma eventual revisão. Esse número varia com a idade da primeira cirurgia e com os cuidados posteriores.
A cicatriz do lifting aberto aparece? Ela fica à frente e atrás da orelha, e também dentro do couro cabeludo. A cicatriz alarga quando é fechada sob tensão, o que é mais um motivo para a sustentação vir da camada profunda.
Preciso repor volume junto? Depende do caso, porque um rosto que caiu e esvaziou pede as duas coisas, enquanto um rosto que apenas caiu, não.
Quantas vezes dá para operar? Mais de uma vez, e isso é comum, mas o intervalo entre as cirurgias tende a diminuir a cada nova vez.
O que dois mil anos ensinam
A história da cirurgia da face é uma sequência de correções de rota. Celso retirava pele e Hollander apostava na tensão, até que Mitz e Peyronie mostraram a camada certa. Furnas mostrou o que precisava ser solto e Hamra mostrou como levar tudo junto. Coleman e Rohrich mostraram o que faltava repor. Isse, Vasconez e Ramirez mostraram que dava para operar sem abrir o rosto inteiro.
Cada geração resolveu um problema criado pela anterior, e esse é o funcionamento normal da ciência. A geração atual está fazendo o mesmo, ao levar a câmera para o plano profundo e ao usá-la também dentro da cirurgia aberta. A próxima vai corrigir alguma coisa que hoje ainda não enxergamos.
O objetivo, esse não mudou. Não se trata de apagar a idade, e sim de devolver a posição dos tecidos preservando os traços de cada rosto. É exatamente o que a trend dos anos 80 faz por acaso na tela do celular, quando muda a época e mantém a pessoa reconhecível.
Uma boa cirurgia da face faz o mesmo com o tempo.
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