Remodelamento glúteo: firmeza, contorno e qualidade da pele
Pele menos firme, celulite mais aparente ou uma mudança no contorno dos glúteos: queixas que parecem semelhantes podem precisar de tratamentos diferentes. Antes de escolher um procedimento, é necessário entender quais tecidos estão envolvidos e o que realmente incomoda.
É esse olhar que orienta o remodelamento glúteo. O planejamento considera a qualidade da pele, a distribuição do volume e as proporções do corpo, para definir quais mudanças são possíveis e quais intervenções têm indicação.
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O que é remodelamento glúteo?
O termo reúne diferentes abordagens para cuidar da aparência da região glútea. O planejamento varia conforme a necessidade de cada pessoa.
Na avaliação, algumas questões ajudam a organizar o tratamento:
Firmeza: há flacidez da pele e perda de sustentação?
Superfície: existem depressões de celulite ou outras irregularidades?
Contorno: quais características da distribuição do volume participam da queixa?
Proporção: o que pode ser tratado respeitando a anatomia e os objetivos da pessoa?
A literatura diferencia qualidade da pele, contorno e projeção. Reconhecer o objetivo ajuda a direcionar a indicação.
A anatomia ajuda a entender a sua queixa
O contorno dos glúteos resulta da combinação entre pele, gordura, músculos e estruturas fibrosas que conectam esses tecidos. A distribuição da gordura e a espessura das camadas variam dentro da própria região. Por isso, duas pessoas com uma queixa semelhante podem apresentar necessidades diferentes.
Flacidez, perda de volume e ptose: qual é a diferença?
Flacidez da pele: menor firmeza e maior frouxidão dos tecidos superficiais. Pode existir mesmo quando o volume está preservado.
Perda de volume: redução do preenchimento da região, com possível mudança na projeção. A necessidade de volume deve ser avaliada separadamente da qualidade da pele.
Ptose glútea: descida dos tecidos, observada na relação com a dobra inferior dos glúteos. O grau de queda pode limitar o alcance dos procedimentos de consultório.
Essas alterações podem coexistir. O envelhecimento e as variações de peso estão associados a mudanças na sustentação e na posição dos tecidos. Quando há excesso importante de pele ou ptose acentuada, acrescentar volume não equivale a reposicionar as estruturas que cederam. [6]
Como entender os graus de ptose glútea?
A avaliação da ptose observa a posição dos tecidos em relação à dobra que separa o glúteo da parte posterior da coxa. Existem diferentes classificações na literatura, com critérios próprios. Por isso, uma graduação da queda não deve ser confundida com uma escala de firmeza da pele ou de intensidade da celulite. [6]
Na prática, o desenho ajuda a reconhecer o que será examinado na consulta. Ele não permite definir o tratamento por autoavaliação. A extensão da queda, a qualidade da pele, o volume e a presença de excesso cutâneo precisam ser analisados em conjunto. Quanto maior a ptose, mais importante é discutir os limites dos procedimentos de consultório.
Como os bioestimuladores de colágeno atuam?
Bioestimuladores são substâncias injetáveis utilizadas para estimular a produção de componentes que dão estrutura aos tecidos. Entre as opções estudadas estão o ácido poli-L-láctico, conhecido como PLLA, e a hidroxiapatita de cálcio. [1,4]
No caso do PLLA, as partículas desencadeiam uma resposta local que envolve células de defesa e fibroblastos, as células responsáveis pela produção de colágeno. Com o tempo, essa resposta pode contribuir para a estrutura do tecido. Trata-se de um processo biológico gradual, com intensidade variável entre as pessoas. [1]
Produto, técnica e objetivo importam. Uma proposta voltada à qualidade da pele exige um planejamento diferente daquela que busca modificar o contorno.
O que a ciência mostra sobre os benefícios?
Um estudo publicado em 2023 na revista Dermatologic Surgery avaliou 20 mulheres com flacidez leve a moderada da pele dos glúteos e das coxas, associada a celulite de grau leve a moderado. Cada participante recebeu PLLA em uma área e água bacteriostática, sem princípio ativo, na outra, permitindo comparar as respostas na mesma pessoa. Foram feitas três sessões com intervalo de quatro semanas, e o seguimento durou 330 dias. Os pesquisadores observaram redução da profundidade das depressões, melhora do aspecto da pele e do grau de flacidez nos glúteos tratados. [1]
Para as depressões laterais do quadril, conhecidas como hip dips, há descrições de técnica com ácido hialurônico de partículas grandes em pequenas séries de pacientes, com boa satisfação relatada. São relatos iniciais, que não permitem prometer a mesma resposta a todas as pessoas. [7]
Esses achados apoiam possibilidades de tratamento em situações específicas. Como os estudos são pequenos, não permitem prometer a mesma resposta para todas as pessoas, grandes aumentos de volume ou equivalência a uma cirurgia. Também não tornam as características naturais do corpo, como os hip dips, alterações que precisem ser tratadas.
Qual é o papel do ácido hialurônico?
O ácido hialurônico utilizado como preenchedor é um gel formulado para acrescentar volume aos tecidos. Em situações selecionadas, pode contribuir para suavizar depressões de contorno e modificar a projeção da região. É uma proposta diferente do estímulo gradual de colágeno, embora os objetivos possam se complementar. [8]
Quando se fala em “suporte estrutural” com preenchimento, a expressão se refere à contribuição do gel para o volume e o formato. Ela não significa reconstrução de ligamentos nem reprodução do reposicionamento obtido por uma cirurgia.
Um estudo prospectivo brasileiro, publicado em 2025, acompanhou 30 mulheres por 12 meses após o uso de um preenchedor específico de ácido hialurônico. Foram observadas melhora estética e satisfação das participantes. A satisfação atingiu o pico de 90% aos 30 dias e chegou a 62% aos 12 meses, o que acompanha a degradação gradual do ácido hialurônico. [3]
O estudo não teve grupo de comparação. Seus resultados ajudam a compreender o potencial do produto estudado, mas não permitem estimar bem complicações raras nem generalizar a resposta a todos os preenchedores. Cada produto tem indicações definidas em bula, e a região glútea nem sempre está incluída. Essa verificação precisa ser feita antes do tratamento. [3,10]
E quando a principal queixa é a celulite?
A celulite envolve a relação entre a pele, a gordura abaixo dela e faixas de tecido fibroso que conectam essas estruturas. Algumas dessas faixas tracionam a pele para dentro e participam da formação das depressões.
Esse mecanismo tem apoio em estudos de imagem. Em uma pesquisa com 30 mulheres, uma área de glúteo com depressões de celulite foi comparada, na mesma pessoa, a uma área sem depressões por ressonância magnética. Septos fibrosos foram visualizados em 96,7% das áreas com depressões e eram mais espessos nelas. Isso ajuda a explicar por que tratar apenas o volume pode não resolver determinada irregularidade. [2]
Por isso, a avaliação precisa distinguir o que é uma depressão localizada e o que é perda de firmeza mais difusa. Essa diferença muda a escolha do tratamento.
Quando essa tração predomina, pode ser considerada a subcisão, procedimento que libera faixas fibrosas selecionadas. Quando há flacidez associada, o plano também pode contemplar o estímulo de colágeno. A subcisão foi avaliada em estudo observacional com 200 mulheres, e o estímulo de colágeno em outros estudos, mas a indicação precisa considerar o padrão de celulite e as características da pele. [1,4,5]
Quando combinar tratamentos?
A associação pode ser considerada quando existem necessidades diferentes na mesma região. Cada recurso deve ter uma função definida no planejamento.
Um estudo com 20 mulheres avaliou a combinação de ultrassom microfocado com visualização e hidroxiapatita de cálcio diluída, observando melhora da flacidez e da aparência da celulite em glúteos e coxas aos 90 dias. Entretanto, foi uma análise retrospectiva, sem grupo de comparação. Ela sugere benefício, mas não comprova que a combinação seja superior a cada tratamento isolado. [4]
Os achados se referem aos recursos e às condições estudadas. Não podem ser automaticamente transferidos para qualquer aparelho, produto ou associação.
Bioestimulador e ácido hialurônico também podem ser discutidos quando coexistem uma queixa de firmeza e uma necessidade de preenchimento. Cada recurso precisa ter uma finalidade definida. A presença de estudos sobre os tratamentos isolados não demonstra, por si só, que a combinação seja superior para todas as pessoas.
Quando as mudanças aparecem?
Quando o objetivo é estimular colágeno, a evolução acontece ao longo de semanas e meses. O tecido precisa de tempo para responder e se reorganizar. [1]
No estudo com PLLA, as participantes foram acompanhadas por 330 dias. Isso reforça a importância de avaliar a evolução ao longo do tempo, sem julgar o tratamento apenas pela aparência logo após a aplicação. [1]
Número de sessões, intervalos e necessidade de manutenção devem ser definidos conforme o produto, a indicação e a resposta observada. O planejamento inclui retornos para decidir se há benefício em continuar, ajustar ou encerrar as intervenções.
Com o ácido hialurônico, a mudança de volume pode ser percebida mais cedo. Mesmo assim, o inchaço inicial interfere na aparência. A avaliação do resultado deve considerar a acomodação dos tecidos e o acompanhamento clínico. [3]
Registro clínico: antes e depois
Figura 4. Registro fornecido pela equipe, com autorização da paciente. Antes (à esquerda) e pós-procedimento imediato (à direita), conforme a identificação do material. Diferenças de iluminação e posicionamento limitam a comparação, e o aspecto imediato pode incluir inchaço. Um caso individual não permite prever a resposta de outras pessoas.
Quanto tempo dura o resultado?
Não existe uma duração única para todo remodelamento glúteo. Produto, finalidade, quantidade utilizada e resposta individual influenciam a evolução. No estudo prospectivo de 12 meses com ácido hialurônico, a satisfação foi de 90% aos 30 dias e de 62% ao final do acompanhamento. Esse dado pertence ao produto estudado e não significa que o mesmo efeito seja mantido, ou perdido, no mesmo ritmo em todas as pessoas. [3,8]
Fotografias feitas com iluminação, posição e distância semelhantes ajudam a comparar a evolução. A satisfação da pessoa deve ser considerada junto à avaliação da pele e do contorno. Pequenas diferenças de postura ou de luz podem alterar a aparência das depressões e da projeção nas imagens.
Quais cuidados fazem parte de um tratamento responsável?
A consulta deve incluir o histórico de saúde, medicamentos e procedimentos anteriores na região, especialmente aplicações de preenchedores. A escolha também precisa considerar as indicações e contraindicações do produto utilizado.
Procedimentos injetáveis podem causar dor, inchaço e hematomas, além de complicações como infecção, nódulos, reações inflamatórias e problemas vasculares. A frequência e a gravidade variam conforme o produto e a técnica. Esses riscos precisam ser discutidos antes do tratamento. [8,9]
A Anvisa recomenda verificar o registro do produto e respeitar as regiões e os volumes previstos nas instruções de uso. Ter registro não significa que um produto esteja autorizado para qualquer área do corpo. A existência de um artigo científico também não substitui essa verificação. [10]
Como acontece o procedimento e a recuperação?
A aplicação é realizada em ambiente ambulatorial, após avaliação e planejamento. O número de etapas e as medidas para controle do desconforto dependem do produto e da extensão do tratamento. O plano deve incluir orientações de recuperação e uma forma de contato com a equipe. [1,3]
Pode haver sensibilidade, inchaço e áreas arroxeadas nos dias seguintes. O retorno aos exercícios, a necessidade de cuidados locais e eventuais restrições devem seguir a orientação do profissional responsável. Recomendações de massagem, por exemplo, variam conforme o produto e não devem ser copiadas de outro tratamento.
Dor intensa ou progressiva, mudança importante na cor da pele, febre ou piora do inchaço exigem contato rápido com a equipe e avaliação médica. Acompanhamento também faz parte do tratamento.
Dúvidas frequentes sobre remodelamento glúteo
Quem emagreceu pode se beneficiar?
O emagrecimento pode modificar o volume e evidenciar frouxidão da pele. A avaliação identifica qual componente predomina e se o peso ainda está mudando. Em perdas importantes, o excesso de pele pode limitar a resposta aos injetáveis e justificar a discussão de outras opções.
É possível levantar os glúteos com injetáveis?
Algumas pessoas podem perceber melhora do contorno e da aparência de sustentação. A possibilidade e a intensidade dessa mudança dependem da anatomia e do tratamento. Em casos de ptose relevante, melhorar a pele ou acrescentar volume tem alcance diferente de reposicionar os tecidos cirurgicamente. [6]
O tratamento também melhora estrias?
Estrias precisam de avaliação própria. Uma pesquisa que mostra melhora da flacidez ou do contorno não comprova, automaticamente, eficácia para estrias. Se elas fazem parte da queixa, esse objetivo deve ser discutido separadamente.
Os injetáveis substituem o fortalecimento muscular?
Os procedimentos descritos não são tratamentos para aumentar a massa muscular. A musculatura é um componente da região glútea, enquanto bioestimulação e preenchimento são planejados para outros objetivos. Uma mudança de firmeza da pele não deve ser confundida com ganho muscular.
E se já houver algum preenchimento na região?
É necessário informar o produto, a data e o local das aplicações anteriores, levando os registros disponíveis. Materiais permanentes ou de origem desconhecida podem mudar o planejamento. A avaliação define se é possível prosseguir e se são necessários exames complementares. [9]
Como saber se o plano é adequado para mim?
Antes de decidir, procure entender qual componente da sua queixa será tratado, qual mudança é esperada, quais são as limitações e como será o acompanhamento. Também é importante conhecer o produto proposto, sua indicação para a região e as alternativas disponíveis. Essas respostas tornam a decisão mais clara e individualizada.
O primeiro passo é entender a sua queixa
Na avaliação dermatológica, a pergunta central é: o que precisa ser tratado para atender ao que incomoda você, dentro dos limites da sua anatomia e das opções disponíveis?
Um plano bem conduzido define prioridades, explica os benefícios possíveis e acompanha a resposta. Também reconhece quando procedimentos de consultório têm alcance limitado e quando outra abordagem precisa ser discutida.
Para avaliar flacidez, celulite ou mudanças no contorno dos glúteos, agende uma consulta com a Dra. Pollyanna Molao, no Grupo Chociai, em Curitiba. O cuidado começa com uma avaliação individual e um planejamento claro.
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Referências
1. Almukhtar RM, Wood ES, Loyal J, Hartman N, Fabi SG. A randomized, single-center, double-blinded, split-body clinical trial of poly-L-lactic acid for the treatment of cellulite of the buttocks and thighs. Dermatol Surg. 2023;49(4):378-82. doi:10.1097/DSS.0000000000003718
2. Hexsel DM, Abreu M, Rodrigues TC, Soirefmann M, Prado DZ, Gamboa MML. Side-by-side comparison of areas with and without cellulite depressions using magnetic resonance imaging. Dermatol Surg. 2009;35(10):1471-7. doi:10.1111/j.1524-4725.2009.01260.x
3. Bussade M, Faria G, Barros M, Mourão C, Kichler M, Viana R, et al. Assessment of hyaluronic acid filler in gluteal augmentation and contouring: a 1-year prospective study. J Cosmet Dermatol. 2025;24(12):e70600. doi:10.1111/jocd.70600
4. Casabona G, Pereira G. Microfocused ultrasound with visualization and calcium hydroxylapatite for improving skin laxity and cellulite appearance. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2017;5(7):e1388. doi:10.1097/GOX.0000000000001388
5. Amore R, Amuso D, Leonardi V, Sbarbati A, Conti G, Albini M, et al. Treatment of dimpling from cellulite. Plast Reconstr Surg Glob Open. 2018;6(5):e1771. doi:10.1097/GOX.0000000000001771
6. Rosique RG, Rosique MJF. Augmentation gluteoplasty: a Brazilian perspective. Plast Reconstr Surg. 2018;142(4):910-9. doi:10.1097/PRS.0000000000004809
7. Lourenco L, Medeiros H, Ferreira L, Favoretto Dias de Oliveira N, Lopes R, Sigrist R. Hip dips technique: filling lateral depressions with hyaluronic acid of large particles. Skin Health Dis. 2024;4(6):e461. doi:10.1002/ski2.461
8. Chacur R. Gluteal augmentation: a historical perspective on aesthetic practice. Aesthet Surg J Open Forum. 2024;7:ojae124. doi:10.1093/asjof/ojae124
9. Ducati EPJ, Magacho-Vieira FN, Câmara CBF, Lima GS, Guarinello CSA. Reviewing the ultrasound anatomy of the gluteal region and the mapping of fillers. J Cosmet Dermatol. 2025;24(10):e70499. doi:10.1111/jocd.70499
10. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Consulta de produtos registrados [Internet]. Brasília: Anvisa; [citado 2026 out 16]. Disponível em: https://consultas.anvisa.gov.br
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica. A indicação de qualquer procedimento depende de avaliação individual.